Algo anormal para uma tarde normal - Por Mêires Moreira
A tarde trazia os mesmos sons. A cidade era pequena e as tardes se faziam iguais. Todos os dias eram normais. Pessoas voltando do trabalho, meninos e meninas nas calçadas brincando, senhoras na cozinha aprontando o jantar. E eu estava caminhando, coisa que adoro fazer. Caminhar pelas ruas e observar. Pena que só vejo as mesmas caras, ando pelas mesmas esquinas e escuto os mesmos barulhos, as mesmas conversas de fim de tarde.
Mas, assim como em um piscar de olhos algo novo começa a surgir. É um som. Sim. Um som. E esse eu bem que sei. É que já ouvi, não aqui, mas em outros lugares, nas minhas viagens. Mas o que é aquilo? Sim. Eu também conheço. Já sei o que é. Eu escutei, eu sei o que é. Mas olha, o que isso veio fazer aqui?
Invadiu o céu e o seu som invadiu as ruas, as casas, os quintais. Agora mesmo, as pessoas estão maravilhadas, é tudo novo pra elas. Parece coisa do outro mundo. As crianças gritam, as senhoras abandonam seus afazeres, as pessoas saem de suas casas. Querem ver o que é. A gritaria invade aquela sonoridade normal do dia-a-dia. As vozes se alteram. As crianças correm de um lado pro outro como querendo alcançar aquela coisa, que voa percorrendo cada canto da cidade. As senhoras e os senhores chamam quem ainda não se tocou da aberração daquela tarde. E pra situação ficar mais troncha, aquele troço jogou papeis de propagandas. “Participe da grande vaquejada de Orelinda. Boi, muita festa e mulher bonita!” Aí pronto! Trouxe mais algazarra. Os sons daquela tarde definitivamente ficaram mais esquisitos ainda.
Aquilo virou a cidade de cabeça pra baixo. O de sempre fora quebrado. E a tarde se foi, levando com ela aquele troço, que acabou com a normalidade da minha caminhada.
Agora só resta um cheiro de arroz queimado no ar, os comentários mais esquisitos, e as indagações mais loucas, das pessoas que vivenciaram tudo.
Era um avião?
Um asa delta?
Uma moto voadora?
Um pássaro artificial?Não ouvi um só acerto!
A tarde trazia os mesmos sons. A cidade era pequena e as tardes se faziam iguais. Todos os dias eram normais. Pessoas voltando do trabalho, meninos e meninas nas calçadas brincando, senhoras na cozinha aprontando o jantar. E eu estava caminhando, coisa que adoro fazer. Caminhar pelas ruas e observar. Pena que só vejo as mesmas caras, ando pelas mesmas esquinas e escuto os mesmos barulhos, as mesmas conversas de fim de tarde.
Mas, assim como em um piscar de olhos algo novo começa a surgir. É um som. Sim. Um som. E esse eu bem que sei. É que já ouvi, não aqui, mas em outros lugares, nas minhas viagens. Mas o que é aquilo? Sim. Eu também conheço. Já sei o que é. Eu escutei, eu sei o que é. Mas olha, o que isso veio fazer aqui?
Invadiu o céu e o seu som invadiu as ruas, as casas, os quintais. Agora mesmo, as pessoas estão maravilhadas, é tudo novo pra elas. Parece coisa do outro mundo. As crianças gritam, as senhoras abandonam seus afazeres, as pessoas saem de suas casas. Querem ver o que é. A gritaria invade aquela sonoridade normal do dia-a-dia. As vozes se alteram. As crianças correm de um lado pro outro como querendo alcançar aquela coisa, que voa percorrendo cada canto da cidade. As senhoras e os senhores chamam quem ainda não se tocou da aberração daquela tarde. E pra situação ficar mais troncha, aquele troço jogou papeis de propagandas. “Participe da grande vaquejada de Orelinda. Boi, muita festa e mulher bonita!” Aí pronto! Trouxe mais algazarra. Os sons daquela tarde definitivamente ficaram mais esquisitos ainda.
Aquilo virou a cidade de cabeça pra baixo. O de sempre fora quebrado. E a tarde se foi, levando com ela aquele troço, que acabou com a normalidade da minha caminhada.
Agora só resta um cheiro de arroz queimado no ar, os comentários mais esquisitos, e as indagações mais loucas, das pessoas que vivenciaram tudo.
Era um avião?
Um asa delta?
Uma moto voadora?
Um pássaro artificial?Não ouvi um só acerto!
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